Artigo: Imortal e culto, “Taurino já nasceu grande”. Conça Barreto

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Imortal e culto, “Taurino já nasceu grande”. 

(Conça Barreto bacharela em Letras e Direito, funcionária pública estadual, assessora de juiz, Cidadã Honorária de Amargosa. concabarreto@yahoo.com.br)

A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sedia o lançamento do extraordinário livro Hermenêutica da Desigualdade: uma introdução às Ciências Jurídicas e também Sociais, de Taurino Araújo, CBJM e, aqui, fico eu imaginando o prazer estético experimentado pelo imortal Nelson Cerqueira, perito na arte de desvendar sentidos em meio às entrelinhas textuais, ao reler tantos autores no tempo-espaço desta teoria da interpretação e concluir que tal obra seja au-delá de Sócrates, Platão e Aristóteles, revolucionária de todo o pensamento ocidental.

Cultor do universo tedesco, através do qual se aprofundou nas Letras, na Hermenêutica e, sobretudo na Literatura Comparada, o texto de Nelson Cerqueira testifica o totalizador e humanístico impacto de Taurino Araújo ter alçado a desigualdade (tema idêntico global por excelência) a conceito jurídico fundamental. Daí dirigir, em direção a Taurino, tanto a vista crua que se depara com a lavra de uma pedra rara, quanto o telescópio que lhe sinaliza o real sentido e alcance ou, ainda, o microscópio em direção à profundeza das possibilidades denotativas e conotativas da obra, sobre a qual já se debruçaram sujeitos dos mais variados matizes intelectuais e culturais o que a torna, no mínimo, uma ode à Língua Portuguesa e seus utentes, eloquente forma de difusão da cultura da Bahia e do Brasil em sua pluralidade de manifestações pela dignificação e independência da intelectualidade brasileira e sua imortalidade ou, na síntese de Agenor Sampaio Neto, literário e apoteótico “tema para doutorado e para samba-enredo”.

É assim que, no âmbito da filosofia e mito de Hermes, Nelson Cerqueira acaba testemunhando, em face do extraordinário resultado de pesquisa e crítica obtido por Taurino, que mesmo as ciências exatas surgiram da comparação das chamadas “novas disciplinas” ou dos campos indisciplinares por que Taurino Araújo passeia com tanta desenvoltura. Também a Literatura Comparada, conforme postula Marc Ancel, devolveu-se em ambiente alemão, tal a Teoria Geral do Direito [declínio ou morte?!].

Para Manuela Motta esses tantos diálogos constituíram também excepcional miscelânea, polianteia de possibilidades literárias em sentido amplo, pois a linguagem em Taurino Araújo, além do fundo científico e denotativo, por sua escancarada abrangência, é mesmo um saboroso elemento de interação social, no qual o sentido polifônico se impõe através de um excepcional e significativo entrelaçar de ideias ao qual já se atribuiu tantos usos no âmbito do Governo, Negócios, Educação, Direito, Saúde e Terceiro Setor; análise, terapia, método, filosofia, pedagogia, autoeducação… Conheço Taurino há 40 anos. Imortal e culto, “Taurino já nasceu grande”!

Fonte: Jornal a Tarde.

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