Bebê de cinco meses morre após atendimento em UPA de Salvador e pais acusam médicos de negligência

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Um bebê de cinco meses morreu após ser atendido três vezes na Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no subúrbio de Salvador. Os pais da criança acreditam que a morte do pequeno Ian Felipe pode ter sido causada por negligência médica. No dia 25 de maio, ele teve a primeira febre desde que nasceu. A mãe, Carolina Sales, 20, levou a Ian até a UPA de Paripe, mas ele não foi atendido porque não tinha pediatra na unidade. O pai da criança, Anderson Oliveira, 23, conta que ele voltou à UPA momentos depois, para ver se já tinha chegado algum profissional que pudesse atender o filho. “No sábado pela manhã ela foi na UPA com ele, chegou lá não teve o atendimento, a pediatra não estava atendendo. Quando foi umas 11h, eu retornei lá sozinho e fui ver se a pediatra já tava atendendo, aí falaram que tava. A gente desceu com ele na UPA daqui de Paripe. Ficamos lá até 16h, aí a doutora Raphaela Brito passou os remédios para ele, não fez exame não fez nada”, conta Anderson.  Conforme Anderson, os profissionais da UPA não fizeram exames no bebê antes de receitar os remédios, e alegaram que os procedimentos só poderiam ser feitos se ele tivesse o sintoma da febre há pelo menos três dias. “Não fizeram porque tinha que ter três dias de febre. Ela receitou o medicamento e mandou pra casa. Comprei os remédios e viemos para casa com ele”, explicou o pai. Na receita, a médica indicou o uso de remédios para febre, soro fisiológico para o nariz, medicamento para gases e antialérgico, mas nada disso resolveu o problema de Ian. Os pais, então, procuraram novo atendimento na UPA e passaram para as mãos de outro médico. “No outro atendimento foi doutor Marcos Freitas. Ele passou remédio novamente e disse que poderia ser dor de barriga”, relembra. Na receita, o médico indicou o uso de um antibiótico, mas o quadro de Ian piorou rapidamente. Na madrugada do dia 28, a criança foi levada novamente às pressas para a UPA. “Passamos direto [da recepção] e uma enfermeira notou que ele não estava bem. Estava com a boca roxa, pescoço inchado, barriga inchada. Aí entrou para a sala vermelha, para fazer o internamento dele. Quando eu entrei na sala ele já estava com sonda, com aparelho para respirar. As horas que eu estava com ele, nenhum exame foi feito, para saber o que ele tinha”, denuncia a Carolina. Lá, Ian não resistiu e faleceu ainda no dia 28. A família preferiu não fazer o exame de necropsia. O atestado de óbito foi feito com base em relatórios médicos, e revela que ele teve insuficiência respiratória grave, choque séptico e brônquio pneumonia. Além disso, o atestado diz que Ian tinha um problema cardíaco, mas a mãe do bebê afirma que os pediatras que o acompanhavam já tinham dito que não havia nada de grave com o coração da criança. A família fez uma denúncia na Secretaria Municipal de Saúde e espera que a morte do bebê seja esclarecida. “Eu acho que, de uma certa forma, meu filho foi negligenciado. E que, talvez, se tudo tivesse sido como era pra ter sido, hoje ele estaria com a gente. A gente não estaria passando por essa dor que estamos passando. É terrível, ninguém merece passar por isso. É tão preconcemente”, desabafou Carolina. Inconformado, Anderson cobra respostas: “A impressão que ficava é que eles [médicos] estavam esperando ele morrer, acontecer o pior”. O diretor médico da UPA de Paripe, Thiago Rios, disse que a morte de Ian não tem relação com os atendimentos na unidade e que foram feitos exames laboratoriais, de raio-x e físicos. “Na verdade, ele entrou com quadro de broncopneumonia por aspiração. A criança pode ter inalado alimento, muito provável que tenha sido leite, na via aérea, e isso cursou com a broncopneumonia. Uma bronco pneumonia que evoluiu para um quadro grave de choque séptico, que é uma infecção generalizada. Todo suporte foi dado à criança na nossa unidade”, afirmou Thiago. Segundo ele, todos os atendimentos e prontuários referentes à passagem de Ian na unidade foram averiguados. “Vimos que as condutas realizadas pelos profissionais foram corretas diante do atendimento. Foi prestado todo o atendimento na unidade”, pondera o diretor. (G1 Bahia)

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