Bolsonaro critica Dodge e diz que quilombolas não fazem nada

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O deputado e pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL-RJ) criticou, em entrevista veiculada neste domingo (23), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que o denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação dos crime de racismo contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Bandeirantes, Bolsonaro insinuou que a procuradora poderia ser contra a candidatura dele. O presidenciável se disse alvo de “pancadas” e que “esta semana foi um festival por conta do Ministério Público me acusando de racista”. “Ela acha muito e não encontra nada. Ela teria que, primeiro, dizer para nós por que ela entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com o voto impresso. Ela confia no voto eletrônico ou ela faz parte do mecanismo, do sistema que interessa qualquer um se eleger em 2018, menos Jair Bolsonaro?”, indagou o deputado. Bolsonaro emendou com novas críticas aos quilombolas, afirmando que eles não fazem nada. “Quanto aos quilombolas, eu tenho imunidade total por quaisquer palavras, opiniões e votos. Eu gostaria que a ilustríssima senhora Raquel Dodge nos acompanhasse —tem que ser nesta semana, semana que vem não vale mais— neste quilombola que eu fui, em Eldorado paulista, para ver o desperdício de recursos, maquinários abandonados. Eles não fazem absolutamente nada. É uma realidade”, afirmou, dizendo que, após a visita, Dodge iria dar razão a ele. Na denúncia apresentada, Dodge escreveu que, durante palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril do ano passado, em pouco mais de uma hora de discurso, “Jair Bolsonaro usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais”. Para a procuradora, a conduta do presidenciável é “ilícita, inaceitável e severamente reprovável”. A acusação menciona uma frase de Bolsonaro para ofender os quilombolas: “Eu fui em um quilombola em Eldorado paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. “Lamento a posição da senhora também nesta oportunidade”, disse o pré-candidato na entrevista deste domingo. As críticas do presidenciável também foram direcionadas à Folha e ao Datafolha. Bolsonaro aparece na frente, tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), nos cenários em que o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi incluído na pesquisa. Ele afirmou que o instituto “não goza de credibilidade no Brasil”. “Nas últimas eleições, 2014, em 63 oportunidades, eles erraram quem ganharia no dia seguinte. Inclusive o meu filho, no Rio de Janeiro, deu 7% no sábado, no domingo ele teve 14%”, disse Bolsonaro, referindo-se às eleições de 2016, quando Flávio Bolsonaro foi candidato a prefeito pelo PSC. O pré-candidato à Presidência disse também que a Folha é “fake news oficial”. Antes de justificar sua informação, Bolsonaro foi interrompido por Datena, que disse acreditar que tanto o jornal como o instituto de pesquisa são empresas de credibilidade e que não concordava com tudo o que o entrevistado falava. O apresentador foi aplaudido e, então, o deputado prosseguiu. “Dia 10 de janeiro agora, a Folha de S.Paulo foi em Angra dos Reis e, lá, diz que uma funcionária minha, Walderice, era fantasma. Eu liguei para Brasília no dia seguinte e perguntei qual a situação da Walderice. ‘Deputado, no boletim administrativo da Câmara de dezembro, ela está de férias de 23 de dezembro até quase o final de janeiro’. Ou seja, a Folha foi lá, me acusou de ter uma funcionária fantasma no momento em que ela estava de férias. E daí, Datena, isso é um fake news ou não é?”, questionou Bolsonaro. Em janeiro, quando a Folha publicou reportagem mostrou que o deputado usa verba da Câmara para empregar uma vizinha dele, Walderice Santos da Conceição, 49, em um distrito a 50 km do centro de Angra Dos Reis (RJ), Bolsonaro disse apenas que “ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região”, sem mencionar que ela estaria de férias. Bolsonaro também questionou por que outras emissoras de TV não o convidavam para entrevistas. Ele citou a TV Globo e a Globo News como exemplos. “Vamos bater um papo, vamos conversar. Só diz ‘o deputado Jair Bolsonaro, racista, não sei o quê, que não gosta de mulheres, que o ofende…’. É o tempo todo isso.” Para rebater a acusação de que é racista, Bolsonaro disse que seu sogro se chama Paulo Negão. Reafirmou ser contra cotas. Ao falar de homofobia, disse ser contra a abordagem da homossexualidade em livros escolares. “Eu não quero é que o pai chegue em casa e encontre o filho brincando de boneca por influência da escola. O filho de 6 anos de idade. É isso o que está nos livros e eu tenho mostrado isso nos livros. O elemento, depois de uma certa idade, você se descobre para o sexo lá pelos 13, 14 anos. Se o elemento tiver atração pelo sexo igual, vá ser feliz. Agora, ensinar para criancinhas que fazer sexo com outro coleguinha do mesmo sexo, isso é um crime. Isso é uma patifaria”, disse, sob aplausos da plateia. (BNews)

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