Camelô, professor e agora médico: Daniel César Santos um verdadeiro ponto de referência estudiosa

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” Sei que se não fosse o Sisu jamais poderia ter realizado esse sonho”

Sou filho entre 10 de uma família grande, porém, honesta, trabalhadora e quase todos educadores. Meu pai, estudou até a 4ª série e minha mãe até a 5ª, sobretudo pela falta de escola e a necessidade de trabalhar. Algo inerente à história de muitos brasileiros nascidos na década de 1930. Sou o filho caçula e, portanto, convivi pouco com meus irmãos mais velhos. Forçados a estudar em Salvador e outras cidades para poder chegar a concluir o ensino médio. Nem todos conseguiram. Estudei em escolas públicas a minha vida toda. Fiz o curso de Magistério de 1º grau no Colégio Democrático Professor Rômulo Galvão. A princípio por não ter opção. Assim que conclui, fui para o Rio Grande do Sul trabalhar como camelô e depois fui morar em Belém do Pará trabalhando como digitador. Era o ano de 1995 e fiquei lá até 1996 quando decidi retornar pra Bahia e tentar fazer vestibular, pois dois irmãos meus haviam passado na UNEB Campus V e, por isso, a chance de fazer uma faculdade, até então nula na minha vida, apareceu de forma mais clara. Fiz o vestibular e consegui passar em 2º lugar em Licenciatura em História. De 1997 a 2000, só consegui estudar porque era no noturno e a Prefeitura Municipal de Elísio Medrado bancava o transporte e trabalhava durante o dia.

Todos os dias viajava até Santo Antônio de Jesus chegando em casa à meia noite e trabalhando durante o dia. Consegui terminar e, logo após, passei no concurso público para professor na minha área em Amargosa. Passei em 1º lugar. Escolhi a Escola Agrotécnica de Amargosa para poder começar minha carreira. De 2001 até agora estava nesse mesmo lugar. Desde 2009 a escola passou a se chamar CETEP Vale do Jiquiriçá. Quase um terço da minha vida dedicada a esta instituição. Como afirmei acima a ideia de fazer uma faculdade era algo que não passava pela minha cabeça de forma concreta, sobretudo pelo conhecimento de minha realidade e conhecimento necessário, sobretudo para cursar algo que sempre foi meu sonho: Medicina. Não sei ao certo o que me movia nesse sonho. Se a ideia de curar e fazer o bem às pessoas, ou de ter uma profissão que pudesse dar um certo conforto aos meus pais. Já, de certa forma, vinha conseguindo fazer isso sendo professor e diretor no CETEP Vale do Jiquiriçá, porém confesso que esse vazio ainda existia. Fiz o Enem o ano passado e me inscrevi no Sisu. Consegui a vaga na UESC para o curso que tanto sonhei. Na escola que lecionava, incentivava meus alunos a acreditarem nos seus sonhos e era nesses momentos que alimentava neles a necessidade de criar sonhos e possibilidades e não ficar no discurso do “coitadinho da escola pública”.

Hoje, me vejo na situação deles tentando alimentar uma possibilidade que implicará numa mudança radical. Hoje, eu acredito piamente naquilo que pregava e prego. Correr atrás de um sonho pode ser muito mais um ato de educar do que algo negativo. Sou alguém que tem como princípio o aprender constante, pois, o acúmulo de conhecimento só nos engrandece como seres humanos. Minha vida sempre foi uma correria e de mudanças. Só sei que me sinto um vencedor por ter sido a vida inteira aluno de instituições públicas. Sei que se não fosse o Sisu jamais poderia ter realizado esse sonho. Deixo como mensagem final a todos a ideia de que um sonho pode ser criado, recriado e, principalmente ressuscitado. Não temos que permanecer numa profissão a vida toda. A vida é curta e ela pode nos dar a chance de experimentar muita coisa. O horizonte não acaba onde nossos olhos alcançam. Sempre há outros lugares depois das montanhas. Sonhem, acreditem e não tenham medo. Eu venci, estou vencendo e vencerei. Vocês também podem. Grande abraço a todos!

Fonte: O Brasil que conquistamos.

 

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