Entidades repudiam ataques a templos de religiões africanas em Brasília

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Entidades que representam a cultura afro-brasileira fizeram no sábado (28) no Distrito Federal um ato religioso para repudiar os recentes ataques a terreiros de candomblé em Brasília e nas cidades localizadas no entorno da capital federal. O mais recente deles ocorreu na madrugada da última quinta-feira (27) no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, no Paranoá, região administrativa do Distrito Federal (DF) que fica a cerca de 20 quilômetros da região central de Brasília. O fogo destruiu o barracão onde os membros do terreiro Axé Oyá Bagan se reúnem, mas ninguém ficou ferido. Os crimes são investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Em meio a pedaços de madeira queimada e instrumentos musicais destruídos, os membros do terreiro se reuniram para afirmar que não vão tolerar os atos de vandalismo. Em três meses, este foi o quinto ataque a templos de religiões de matriz africana no Distrito Federal e no entorno. Também participaram do ato representantes da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF) e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Segundo o ouvidor da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, Carlos Alberto de Souza, os templos ligados às religiões africanas da capital federal têm sido alvos frequentes de vandalismo, tipo de crime que, para ele, não pode ser considerado somente dano patrimonial, porque, além dos danos nas instalações físicas, todos os objetos ligados à religiosidade são destruídos. “Nosso país é laico. Não pode interferir nas religiões, mas também não pode embaraçá-las. É importante que o Estado olhe para isso, sobretudo com políticas públicas para a comunidade, porque, aqui, tem ancestralidade sendo posta, não é somente uma questão de religião. Tem uma cultura que deve ser preservada e não pode ser alvo de violência. É algo assustador, e a gente precisa reagir”, disse. Na avaliação da presidenta da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, o que está em discussão não são somente os atos de violência, mas a negação, pela sociedade, de um patrimônio ancestral do Brasil. “A gente entende que é um movimento recorrente. O Estado brasileiro e o governo têm que tomar uma atitude. Qualquer religião brasileira tem direito de ser resguardada pela segurança nacional, e o terreiro também tem que ser. A gente vem aqui para reafirmar a importância de reconhecer esta religião como outra qualquer”, disse Cida Abreu. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) registrou 462 casos de intolerância religiosa contra pessoas ligadas às religiões africanas entre 2011 e 2014, por meio do serviço telefônico Disque 100. Para entrar em contato com a central de atendimento e denunciar violações de direitos humanos basta ligar gratuitamente para o número 100. (iBahia)

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