Fifa ignora indícios de corrupção e mantém Copas na Rússia e no Qatar

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O Comitê de Ética da Fifa declarou nesta quinta-feira que não houve corrupção nos processos de escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022, na Rússia e no Qatar, respectivamente. As duas candidaturas eram acusadas de compra de votos na eleição ocorrida em 2 de dezembro de 2010. Foram dois anos de investigação até a divulgação da conclusão do relatório, um resumo de 430 páginas das milhares produzidas pela apuração dos fatos. Meses atrás a Fifa tinha decidido informar apenas partes do relatório final da investigação, conduzida por Michael Garcia, ex-procurador federal americano. A alegação era de que poderia haver problema jurídico devido ao caráter de confidencialidade dos testemunhos. Desde setembro, quando o presidente Joseph Blatter recebeu o relatório, a Fifa vinha estudando qual seria a forma de divulgar a conclusão do trabalho. A suspeita de corrupção, no caso do Qatar, surgiu após revelações de que o dirigente Mohamed bin Hammam, à época vice-presidente da Fifa, teria supostamente subornado, com pagamentos no valor total de 3 milhões de libras (mais de R$ 11 milhões), cartolas do futebol, ao redor do mundo, para influenciar os votos na escolha da sede da Copa de 2022. A situação piorou em 2012, quando uma reportagem do jornal inglês “Sunday Times” denunciou que houve suborno na escolha da Copa do Qatar. Depois da reportagem, a Fifa abriu investigação sobre o caso. Hammam foi membro da executiva que deu a vitória ao Qatar sobre EUA, Japão e Austrália. Ele foi banido da Fifa por corrupção, mas em episódio sem relação com o Mundial de 2022. Hammam teria tentado comprar o voto de federações do Caribe em sua candidatura a presidente da Fifa contra Blatter, no pleito que garantiria ao suíço seu quarto mandato como presidente da entidade. No relatório final da investigação da Fifa a candidatura do Qatar foi desvinculada de Hammam. “O presidente da câmara do Comitê de êtica da Fifa considera que a investigação sobre o processo de licitação foi conduzida em plena conformidade com as disposições pertinentes dos códigos de ética da Fifa”, diz um trecho do relatório de 430 páginas. Nesta quinta-feira a Fifa, em nota oficial, comemorou a conclusão da investigação: “A Fifa saúda o fechamento alcançado. Assim como agora olha para frente e espera continuar os preparativos para a Rússia-2018 e Qatar-2022 que já estão em andamento”, informou a entidade, que acrescentou estar “ansiosa por continuar o trabalho com Rússia e Qatar”. Embora livre das denúncias de corrupção, os russos foram criticados por dificultarem a investigação. Alexey Sorokin, chefe do comitê da Rússia-2018, disse que o país não tem nada a esconder. Dirigentes teriam escondido e destruído computadores, negando aos investigadores do comitê de ética da Fifa o acesso a e-maills durante a investigação. “Não temos nenhum tipo de emoção particular (sobre o relatório da Fifa) porque sempre confiamos que não surgiria nada dessa investigação. Era algo que a Fifa considerava importante, foi feita, nós participamos, cumprimos com a nossa obrigação, o que mais podemos fazer?”, disse o dirigente russo. Sobre a questão dos e-mails, Sorokin insistiu que existe uma explicação plausível. “Não há e-mails deletados. Nos alugamos os equipamentos e tivemos que devolver. Então devolvemos. Nós nem sabemos onde eles estavam”. Em nota, o comitê do Qatar informou que “cooperou plenamente com a investigação do comitê de ética e continua a acreditar que uma avaliação justa e adequada irá demonstrar a integridade e qualidade da nossa candidatura”. A Federação Inglesa de Futebol (FA) foi duramente criticada pela Fifa no documento. Os ingleses foram acusados de terem patrocinado uma reunião da Concacaf e mantido um forte relacionamento com Jack Warner, ex-presidente da federação de Trinidad e Tobago e ex-vice-presidente da Fifa. Denunciado por corrupção, Warner deixou a Fifa em 2011. Os ingleses, que concorreram para sediarem o Mundial de 2018, reagiram às críticas da Fifa. “Nós não aceitamos qualquer crítica a respeito da integridade da candidatura da Inglaterra ou qualquer um dos indivíduos envolvidos”, dissse a FA, em nota. A Austrália também foi criticada. O relatório disse que a candidatura do país para 2022 também se esforçou para atrair Warner e Reynald Temarii, dirigente da Oceania, para projetos de desenvolvimento do futebol. A Inglaterra foi derrotada na campanha para 2018 junto com as candidaturas conjuntas de Holanda e Bélgica e Espanha e Portugal. Já o Qatar derrotou Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e Austrália. A Fifa informou ainda que fará mudanças na escolha para a sede do Mundial de 2026. A entidade deve aprovar que a votação passe a ser feita pelos 209 presidentes das federações filiadas. Hoje a escolha da Copa é feita por 24 membros do comitê executivo da entidade.

 

VOZ DA BAHIA

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