Presidenciáveis apostam nos indecisos para decolar na disputa eleitoral

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Se engana quem pensa que os candidatos à Presidência da República atacam os adversários com o único objetivo de conquistar os votos deles. A estratégia este ano está voltada para outro lado, na direção de quem ainda não sabe em quem vai votar. Essa fatia alcança quase metade do eleitorado, segundo pesquisa Datafolha de junho deste ano. O discurso em torno de quem ainda não sabe em quem vai votar está presente nas falas dos principais candidatos à Presidência e seus aliados. A avaliação entre os caciques do MDB, que apostam na candidatura de Henrique Meirelles, por exemplo, é a de que o eleitor vai votar em quem ele melhor conhecer. Pesquisas internas do partido mostram que Meirelles ainda é desconhecido de boa parte do eleitorado. “Por isso ele não vai bem nas pesquisas quantitativas, mas quando o apresentamos, quando falamos das conquistas dele, nas pesquisas qualitativas, vemos que ele sobe”, diz o deputado emedebista Darcísio Perondi (RS). O mesmo discurso é reforçado pelo presidente do partido, Romero Jucá (RR). Na avaliação dele, são nesses eleitores que o candidato deve apostar suas fichas. A estratégia é semelhante com Alvaro Dias (Podemos). “Quando vejo que 62% (dos eleitores) não definiram o voto, isso significa que há um espaço enorme à frente, que a eleição está aberta”, disse o candidato em junho à BBC Brasil. Não tem direita ou esquerda na hora de mirar em quem não sabe em quem vai votar. Manuela D’Ávila (PCdoB), que deve ser vice na chapa do PT, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for definitivamente barrado pela Justiça Eleitoral, fez um chamado aos que reclamam do processo eleitoral e dizem que vão se abster. “Metade do povo brasileiro diz que abrirá mão de participar do processo eleitoral. As mulheres, que são as mais punidas com as medidas editadas pelo Temer – que são as mesmas do Alckmin -; as mulheres que vivem o desemprego de forma mais numerosa; as mulheres que vivem as consequências nefastas da PEC do teto de gastos; as mulheres que sabem que quando diminui o Estado, aumentam as suas responsabilidade; elas que ficam na escola atrás de vaga de creche dizem hoje que não participarão do processo eleitoral.” A estratégia dela é semelhante à traçada pelos emedebistas e tucanos: “Eu vou atrás dessas mulheres e desses homens que vivem as consequências da crise e que às vezes demonstram um desinteresse com a política”. “Tenho orgulho de dedicar 20 anos da minha vida à política, de acreditar que a política é um instrumento de transformação e que as eleições são o momento de maior celebração disso”, emendou. Ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa, o presidente do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, aproveitou a convenção do partido para dar um recado aos indecisos. “Chegou a hora de a gente mudar a política do Brasil. Os 4 últimos anos de crise não podem ter sido à toa. O desemprego que está aí. O preço alto. O mais pobre que sofre nas capitais, grandes cidades e interior de todo o Brasil. Tudo isso tem que ter uma razão maior e é que a gente possa a partir de 2019 escrever um novo momento da história política desse País. Que a gente tenha condições de mostrar que a política pode ser consertada pelos políticos, políticos de bem, comprometidos com o cidadão, que falem a verdade, que entendam a voz que vem das ruas, que sejam capazes de conectar o governo federal e o trabalho no Parlamento com aquilo que é desejado e sonhado em cada canto desse enorme País”. 

Indecisos e decididos a não votar
Na pesquisa espontânea, o percentual de eleitores que não sabe em quem vai votar chega a 46%, segundo a Datafolha. Quando são apresentados nomes, o percentual no segundo turno de brancos, nulos e indecisos vai de 18% a 42%. Nas eleições de 2016, em 9 cidades os votos brancos, nulos e as abstenções venceriam as eleições. No Rio de Janeiro, por exemplo, o número de abstenções e votos brancos e nulos superou a quantidade de votos que teve o prefeito eleito Marcelo Crivella (PRB) – 2 milhões diante 1,7 milhão. Na época, o professor de Ciência Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Rui Tavares explicou ao HuffPost Brasil que o índice demonstra claramente uma manifestação de descontentamento do eleitorado. “Estamos voltando ao patamar de nulos e brancos da época em que os votos eram manuais e havia um alto número de votos anulados por diversos motivos, até mesmo pela má vontade dos aparadores em reconhecimento dos votos. Os índices estão parecidos, mas agora soam como repúdio.” (Huffpost)

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