AMARGOSA: Esposa salva marido de tentativa de suicídio e sai com ferimentos.

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Foram muitos os boatos que circularam em Amargosa na noite do dia 26/06. O que se sabia era apenas que a polícia foi acionada e que R.C  sofreu cortes de faca, e que seu marido, J.R, estava custodiado na delegacia. 

 

J.R é figura conhecida na cidade, sendo deficiente por conta de paralisia infantil que o acometeu aos 10 anos de idade, fazendo com que suas pernas não se desenvolvessem, razão pela qual não é capaz de andar, locomovendo-se por cadeira de rodas ou, limitadamente, por muletas.

No auto de prisão em flagrante, os policiais condutores relataram que encontraram J.R no chão com sua esposa ferida por faca. 

J.R, também ferido, foi levado ao hospital de Amargosa, tendo sido R.C encaminhada a Santo Antônio de Jesus, ante a suspeita de que poderia se tratar de um quadro mais grave.

 

Pela completa ausência de informações, o auto de prisão enquadrou o fato como tentativa de feminicídio, sendo encaminhado ao Juiz com pedido de conversão em prisão preventiva.

 

Naquela madrugada J.R foi levado à delegacia, onde ficou custodiado com outros presos numa sela de estrutura precária, não adaptada à sua condição, dependendo da boa vontade de outros presos em caso de necessidade. Porém, ainda naquela noite, sua esposa teve alta médica, constando no relatório apenas cortes na mão e no braço direito.

 

A senhora R.C compareceu à delegacia para prestar depoimento no dia seguinte, sem, contudo, ter sucesso, pois na segunda, pela transferência do feriado de aniversário da cidade, não estavam presentes o delegado e o escrivão. 

 

Na manhã de ontem (28/06) a senhora R.C compareceu à delegacia para prestar os esclarecimentos do fato. Ela explicou que J.R sofre de depressão e tendência suicida, tendo um histórico familiar marcado por esse mal. 

 

No dia do fato, teria o casal chegado em casa dos festejos juninos, tendo J.R chamado R.C para conversar, ao que ela teria dito que iria trocar de roupa. Em seguida, J.R afirmou que iria se matar, e quando R.C olhou para trás, ele estava com uma faca de cozinha na mão. 

 

J.R golpeou a si mesmo na região do abdome, no entanto estava usando seu colete ortopédico, não conseguindo se ferir. 

 

De imediato, R.C correu para tirar a faca de J.R, que tentava levá-la ao pescoço. Estando o cabo na faca na mão de J.R, R.C pegava diretamente o fio/serra da faca na tentativa de desarmá-lo, tendo com isso cortado a mão. J.R resistia à retirada da faca de sua posse, quando de repente R.C se desequilibrou e ambos foram ao chão, momento em que a faca atingiu seu braço. Após caídos, chamaram por uma terceira pessoa que mora na casa, pedindo para que buscasse ajuda e acionasse a ambulância. Vizinhos, porém, acionaram a polícia, que realizou a prisão de J.R.

 

Em seu depoimento, R.C afirmou serem eles casados há 30 anos, e que J.R é bom pai, filho e marido, e que jamais foi violento com ela. R.C esclareceu que no dia 26/06 J.R não atentou contra a sua vida, mas contra a dele próprio.

 

Sem a presença do delegado para juntar aos autos o depoimento, a defesa de J.R, patrocinada pelo advogado José Rotondano, fez a juntada por meio de petição, anexando o termo de depoimento e o relatório de alta médica, bem como apresentando fundamentos para a não conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. J.R, quando interrogado, explicou que ingeriu álcool no dia, o que em interação com os remédios intensificou seu sintoma depressivo.

Na audiência de custódia o promotor Alisson  concordou com o pedido da defesa e o juiz Fabiano  concedeu a liberdade provisória.

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