BaianaSystem fala sobre ‘Fora, Temer!’: ‘Nada que nunca fizemos’

5 anos Anterior written by

Após puxar o polêmico coro de “Fora, Temer” no carnaval de Salvador, a banda BaianaSystem tocou no Farol da Barra, em Salvador, na madrugada desta quarta-feira (1º). Em entrevista ao G1, o cantor Russo Passapusso, vocalista do grupo, comentou o episódio que gerou uma denúncia ao Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), entidade que participa da organização e fiscaliza a festa. O coro contra o presidente Michel Temer ocorreu durante o desfile do projeto Furdunço, no circuito Osmar (Campo Grande), na sexta-feira (24), terceiro dia oficial de carnaval em Salvador. Em cima do “navio pirata”, como é chamado o trio do grupo, o cantor levantou o “Fora, Temer” e foi seguido por milhares de foliões que acompanhavam a apresentação. Nesta quarta-feira, o cantor contou que não fez nada que não costuma fazer durante as apresentações da banda e que só reproduz o que sente do público. “Não foi nada que nunca fizemos no show, é algo corriqueiro. A gente não tem necessidade de levantar slogan. A gente traz o que vem do nosso público. Faz parte das ruas. O importante é que um slogan não derrube a compreensão do raciocínio das pessoas”, contemporizou o músico. “Que o ‘eu te amo’, por exemplo, tenha mesmo amor. As coisas precisam ter sentido. Que o público tenha discernimento para compreender as coisas”, completou.

Sucesso no Carnaval

Com uma das pipocas mais cheias do carnaval baiano, a BaianaSystem tem contado com um aumento de público significativo na folia. Segundo Russo, isso é fruto da honestidade do trabalho junto ao público. “Nós temos reforçado nosso trabalho boca a boca, também na internet. Também estamos fazendo música para o público, mas que traga satisfação interna. Há muitos ouvidos inquietos por aí e estamos preenchendo um espaço”, disse Russo, ressaltando que a música da BaianaSystem tem quebrado estereótipos e, por isso, ganhou um público cada vez mais diverso. O guitarrista do grupo, Robertinho Barreto, acredita que isso tem sido construído principalmente nos shows. “A gente vai pegando os espectros do que vê nos shows e botando na nossa música”, explicou. Perguntado se a BaianaSystem lidera algum tipo de movimento em Salvador, Russo Passapusso acredita que há mais um movimento “espiritual”, mas cita o Ifá como um exemplo de caminho similar ao da Baiana na música, embora com estilo diferente, mais ligado ao afrobeat. “O que não podemos é perder as raízes, deixar a globalização tomar tudo”, pontuou, referindo-se aos diferentes estilos misturados pela Baiana, como rap, rock, pagode e arrocha.

Polêmica

O presidente do Comcar, Pedro Costa, disse que todos os artistas que participam do carnaval de Salvador precisam seguir regras. Dentre elas, estão orientações de não fazer manifestações políticas, apologia às drogas ou à violência. “O carnaval é uma festa que tem regras. Já pensou se uma festa desse tamanho não tivesse regras? É uma festa que envolve praticamente toda população de Salvador. Uma das regras é não praticar racismo, homofobia e que não utilize ações políticas. Comentário pode, mas fazer apologia é algo que fere o código de ética. Como é que uma festa que simboliza a alegria, diversão se usa disso. Os artistas são proibidos de fazer isso”, disse. Costa afirmou que pode ter havido uma falha na comunicação com a BaianaSystem nesse sentido e que uma notificação que chegou ao Conselho, em relação à manifestação ocorrida no Furdunço, será analisada após o carnaval, mas não deve haver punição à banda. “A comissão vai dar o direito deles [banda] se defenderem. Tenho certeza que eles [BaianaSystem] não têm interesse em prejudicar o carnaval. É um grupo muito interessante para o carnaval de Salvador. Nós temos maior admiração”, afirmou. Pedro disse que o Comcar vai buscar esclarecer as regras para que, caso outros artistas também não tenham conhecimento, fiquem sabendo. Segundo ele, as regras não são expostas em contrato, mas são divulgadas em reuniões feitas com representantes dos artistas que participam do carnaval. Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), que organiza o carnaval de Salvador, disse, em entrevista ao G1, que a manifestação da BaianaSystem não interfere na contratação do grupo para o próximo carnaval. Edington afirmou ainda que esteve com integrantes do grupo antes deles comandarem os foliões “pipoca”, na noite de segunda-feia (27), na Barra-Ondina. “Não tem nenhum problema [a manifestação]. Nós não temos nenhum tipo de problema com a BaianaSystem. Não temos nenhum tipo de censura. Vivemos em um regime democrático. É uma banda que tem feito muito sucesso. As pessoas fazem questão da participação deles. Queremos ter a BaianaSystem no carnaval 2018”, disse o presidente da Saltur.

O grupo, que faz um som alternativo e mistura uma batida eletrônica com percussão, costuma atrair milhares de foliões na “pipoca” (trio sem cordas) do carnaval de Salvador. Esse ano, a BaianaSystem foi contratada pela Prefeitura de Salvador para tocar cinco vezes durante as festas carnavalescas na cidade. O grupo animou os foliões no pré-carnaval Furdunço, no dia 19 de fevereiro, comandou a “pipoca” no mesmo projeto, mas no Campo Grande, já dentro da programação oficial da festa, na sexta-feira (24), no pôr do sol da Praça Castro Alves, no domingo (26), na segunda-feira (27) em um trio sem cordas, no circuito Barra-Ondina, e vai se apresentar para os foliões no palco montado no Farol da Barra, nesta terça-feira (28), a partir da meia-noite. (G1)

Comentários

Comentários

Artigos de Categorias:
Bahia · Entretenimento

Deixe o seu Comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.