Com consumo de cidades, custo incerto de energia preocupa indústrias

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Às margens da BR-324, entre as cidades Simões Filho e Candeias, está instalado há quase 50 anos o Centro Industrial de Aratu, com 144 empresas de segmentos diversos, do têxtil ao químico, algumas delas com dimensões de cidades de médio porte. Para produzir matérias-primas como propileno, propilenoglicol, ácido clorídrico, soda cáustica, uma dessas fábricas tem consumo de energia que abasteceria um município de 200 mil habitantes, que não são muitos na Bahia – de 417, apenas Camaçari, Feira de Santana, Itabuna, Salvador e Vitória da Conquista têm mais do que isso. Tendo a energia como insumo estratégico e de alto custo no processo de produção, essas indústrias, chamadas eletrointensivas, estão preocupadas com o preço da compra da eletricidade, já que o contrato com a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, que é renovado há 30 anos, se encerra no dia 30 de junho e não há previsão legal de prorrogação.Um conjunto de sete indústrias na Bahia e outras três em Alagoas, Pernambuco e Ceará são abastecidas pela Chesf com valor subsidiado. Esses grandes consumidores hoje pagam, em média, cerca de R$ 95 pelo megawatt-hora (MWh), incentivo que apoia a competitividade do setor no mercado internacional, dizem as empresas. Um acordo tem sido negociado entre industriais e Ministério de Minas e Energia (MME) para garantir manutenção da produtividade e de novos investimentos, e ao mesmo tempo evitar impactos como demissões em massa. “Essa energia entra para fazer eletrólise do sal, que faz cloro, matéria-prima importante para essa e outras fábricas. A gente consome aqui de 100 a 120 megawatt-hora. É um consumo bastante grande. Em vapor, é cerca de 250 a 300 toneladas-hora. A energia elétrica é, sem dúvidas, a maior parte da energia do complexo”, explica o diretor Industrial da Dow Química, Rodrigo Silveira.  Para reduzir o impacto no orçamento, uma das soluções apontadas é aumentar a eficiência enérgetica através da modernização dos equipamentos. Outra saída é a criação de parcerias para a produção independente de energia.
No caso da Dow, parte das máquinas funciona apenas a vapor e, numa iniciativa inédita no ramo petroquímico, há cerca de um ano foi inaugurada planta de cogeração de energia com R$ 250 milhões investidos pela Energias Renováveis do Brasil (ERB) no próprio complexo da multinacional, em Aratu. Lá são produzidas energias térmica e elétrica. O vapor é direcionado para consumo da indústria em contrato exclusivo. A elétrica é vendida pela ERB no mercado livre. Para Silveira, a compra direta deu folga significativa no orçamento da Dow Química ao substituir parcela do gás natural comprado até então com a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). Mesmo com a parceria considerada inovadora, não é planejada adoção de modelo semelhante para a compra de eletricidade em mercado livre. “Não para o volume que temos. Nosso contrato é com a Chesf”, diz.

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