Direto da periferia de Salvador, baiano Bidu encara americano no UFC 184

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Muita gente não deve conhecer a comunidade carente de Pedreiras, que fica entre o Dique do Tororó e o Engenho Velho de Brotas. Por lá, mora um certo Valmir Lázaro, que, na área, atende pelo apelido “Bidu”. No sábado, o morador de Pedreiras estará nos Estados Unidos literalmente lutando por uma vida melhor. O baiano está no card preliminar do UFC 184, que será realizado em Los Angeles e terá como luta principal a disputa do peso galo feminino entre Ronda Rousey e Cat Zingano. Bidu fará a segunda luta da noite, contra o americano James Krause, pelo peso-leve (até 70kg). Bidu ganhou esse apelido na infância. Quem deu foi a mãe, admiradora do cachorro da Turma da Mônica. Pegou, e Bidu levou pra dentro do octógono. O cartel do baiano merece respeito: 12 vitórias e três derrotas. Ele fará sua segunda exibição no UFC. Em agosto de 2014, perdeu por decisão para o americano James Vick no UFC Henderson x dos Anjos. “Nunca tinha viajado para os Estados Unidos. As pessoas não sabem, mas eu tive uma gripe muito forte na época. Só que eu queria lutar. E também não achava que ele era isso tudo. Agora estou bem. Ali tava sem ninguém”, compara. De lá pra cá, Bidu garante que evoluiu como atleta. “Me tornei um cara mais profissional. Hoje tenho nutricionista, acompanhamento médico, sei a hora de dormir, acordar, me alimentar”, revela. Das 12 vitórias de Bidu, nove foram por nocaute. “O carro chefe da casa é o boxe. Quero fazer a luta em pé. Se ele quiser trocar comigo, vou aceitar. Tenho uns truques na manga aí pra ele”, avisa. Sobre Krause, seu próximo adversário, Bidu não poupou elogios. “Ele é um cara muito versátil. Tem uma boa experiência no MMA. É um cara de gosta de vir pra cima, assustar. É bom em tudo”. O baiano espera uma luta aberta e quer ter o seu braço levantado ao final do combate. “Ele quer a vitória e eu estou com muita sede também. Minha vontade é maior do que a dele. Isso é bom para os dois, para o evento e para quem estiver assistindo. Ele vai vir pra cima, eu também”, diz Bidu, que acredita que o condicionamento físico pode ajudar a definir a luta.

Pintor – Mesmo no UFC, Bidu ainda convive com a falta de patrocínio e vai se esquivando das dificuldades. “Não é fácil. Meu tio é pintor, e, às vezes, me chama pra uns serviços. Também dou umas aulas particulares. Vamos lutando e nos virando. Ainda não dá pra viver só da luta, mas vou chegar lá”, afirma o lutador, que mora com a mãe e o filho Lázaro Vinícius, de 9 anos. Para se preparar para a luta, Bidu treinou na tradicional academia Nova União, no Rio, do técnico Dedé Pederneiras e dos astros José Aldo, campeão dos penas, e Renan Barão. “Moro pertinho da academia. Venho pra cá de oito a dez semanas antes das lutas. A parceria é muito forte. Todo mundo me trata bem. Aqui é realmente uma família”, garante. Quando está em casa, a realidade é um pouco diferente. Treina na ZMT, em Lauro de Freitas. “São duas horas de buzu. Tem dias que chega no Iguatemi e trava tudo. É dureza, irmão”, conta o lutador, que espera vencer no octógono e também na vida. (Correio)

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