O documento, bem estruturado, com introdução e dez capítulos, traça em detalhes toda a organização dos departamentos governamentais, incluindo tópicos fundamentais para a estruturação e manutenção de um Estado: administração dos recursos naturais, da indústria e das instalações militares. Outros setores igualmente importantes, saúde, comércio e emprego, também são contemplados nas 24 páginas. Se para muitos o simples pronunciar Estado Islâmico traz à memória imagens de decapitações e atentados terroristas, a leitura do documento “Princípio da administração do Estado Islâmico”, divulgado ontem pelo jornal britânico “The Guardian”, evidencia a busca do grupo fundamentalista em criar e perpetuar uma nação.

O projeto afirma que “o estabelecimento do Estado Islâmico não reside apenas na luta do soldado, nem na evangelização nas mesquitas, mas num abrangente sistema que obrigue os líderes da ummah (nação muçulmana, em árabe) a construir os conceitos”. E isto “requer uma Constituição baseada no Alcorão e um sistema para implementá-lo”. O capítulo “Administração das relações” é explícito ao afirmar que é preciso “proteger as fronteiras do Estado Islâmico de cada mushrik (idólatra)”.

O texto menciona a criação de autossuficiência através da construção de “fábricas para a produção militar e de alimentos”, financiados por um tesouro abastecido por um sistema centralizado de controle de petróleo, gás e de outras partes da economia.

— Se o Ocidente vê o EI como um bando estereotipado de assassinos psicopatas, corremos o risco de subestimá-los — afirma o general americano Stanley McChrystal, que liderou unidades que ajudaram a destruir o grupo ISI, predecessor do EI no Iraque. — Há o reconhecimento de que governança é essencial, além do uso da tecnologia para dominar informações, e uma vontade de aprender com os erros dos movimentos islamistas anteriores.