INDIGNE-SE E FAÇA

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Certa vez ao iniciar um discurso na década de 60, Martin Luther King disse: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Frase que a meu ver recai com muita propriedade sobre aqueles que dizem não acreditar mais em mudanças para este país haja vista a qualidade de nossos políticos. Para milhões de brasileiros, todo político é corrupto, todo político só olha seu próprio bolso e outros lugares comuns.

E de fato, a prática da desonestidade, da falta de ética, do enriquecimento ilícito, que a maioria dos políticos brasileiros vem praticando na vida pública nos deixa atônitos e desacreditados. E esta prática recai sobre todos os escalões governamentais. O despudor dos homens públicos chega ao grau máximo da desfaçatez quando defendem seus pares. São capazes de subverter toda lógica do bom senso para justificar o comportamento antiético ou o roubo do dinheiro público.

E o pior de tudo é que o exemplo chega até nossos jovens que desgraçadamente passam a compreender o roubo, a hipocrisia, a mentira, a sanha pelo enriquecimento fácil e inescrupuloso como uma atitude correta, como algo natural na sociedade que vivemos, e as atitudes virtuosas como bobagens idealistas.

No entanto, a ciência sociológica nos ensina que a qualidade da democracia de um país, depende da qualidade do cidadão ou cidadã. Depende de sua consciência política, de sua consciência cidadã. O sistema democrático necessita de uma postura participativa dos membros da sociedade nos destinos de uma nação, exige controle dos órgãos públicos por parte da comunidade organizada em associações e partidos políticos, exige que seus membros determinem os rumos que o país deve tomar e, portanto, exige que seus representantes, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes ajam segundo o desejo da maioria.

Ouço nas ruas, pessoas de bem, falando com sinceridade e preocupação acerca dos destinos deste país e rechaçam os políticos desonestos. No entanto, são incapazes, as vezes por motivos fúteis, de se filiar a um partido político ou a uma agremiação militante pelas causas sociais, recusam-se a agir politicamente e a contribuir para o fim deste triste quadro da história do Brasil. E por vezes chegam inclusive a desejar a volta da ditadura militar dos anos 60/80, esquecendo que o que temos hoje no país é fruto daqueles tempos.

Não sabem que a história dos povos é um processar histórico, um eterno devir, uma construção coletiva e individual da qual, todos, de uma forma ou de outra, somos chamados a participar, seja como membro ativo e atuante, ou como simples massa influenciável por aqueles que atuam e são ativos dentro do processo de construção da história humana. A democracia é um sistema político que se constrói cotidianamente na ação organizada da população. É um sistema forjado na luta contra aqueles que apenas querem se aproveitar da ignorância popular para benefício próprio e por isso precisa de uma população participante, ativa, e sabedora de seus direitos individuais e coletivos.

Negar-se a participar é, portanto, contribuir com a desigualdade, com a injustiça social, é estar conivente com a corrupção e com políticos corruptos que dilapidam cotidianamente os cofres públicos da nação. É permitir que crianças fiquem nas ruas cheirando cola e sem esperanças, é deixar milhões sem alimento, morrendo de fome em um país tão abundante, é permitir estudantes terem uma péssima educação, é ir a igreja aos domingos, comungar e dizer amém a toda sorte de atos inescrupulosos que vemos diariamente nas telas da televisão. É ser indiferente ao outro.

Dhyan Firdauzd

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