Jovem que ficou deformada após plástica refaz cirurgia: ‘Vida nova’

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A esteticista Annelise da Silva Martins Levino, de 27 anos, que ficou deformada após uma cirurgia plástica realizada em uma clínica particular, em Goiânia, refez o procedimento e diz que mudou de vida. Na época, a pele da barriga não foi devidamente removida, o que a deixou com um volume na região pubiana. “Parecia que eu tinha um pênis e chegaram a me confundir com um travesti. Mas tudo mudou depois que eu fiz a nova cirurgia. É uma vida nova”, disse ao G1. Antes de fazer a primeira cirurgia, Annelise era dona de casa. No entanto, após sofrer com o procedimento desastroso, ela estudou e passou a trabalhar como esteticista. Além disso, entrou para um grupo em uma rede social que falava sobre o tema. Aí ela teve a ideia de criar seu próprio grupo, com o objetivo de ajudar outras pessoas sobre os cuidados na hora de escolher um cirurgião e uma clínica. “Comecei com o grupo em 2013 e, aos poucos, ele foi crescendo. Hoje, são cerca de duas mil participantes, que trocam ideias sobre os procedimentos e todos os pontos que é preciso atentar. Lá falamos sobre os médicos que são credenciados junto ao Conselho Regional de Medicina e das experiências bem-sucedidas”, ressaltou. A troca de experiências ganhou força e neste sábado (16) o grupo fará o seu primeiro encontro presencial. O evento gratuito, aberto ao público, será realizado a partir das 14h no Clube de Pesca Lago Verde, que fica na Rua CP 70, Quadra 107, na altura do km 8 da GO-070. “Consegui reunir alguns especialistas, que vão tirar dúvidas sobre o tipo de procedimento que deve ser realizado para cada caso e os cuidados que a pessoa tem que tomar. Vai ser gratificante poder ajudar os outros a não passar pelo que eu passei”, concluiu Annelise.

Sequelas – O drama da esteticista começou quando ela fez a primeira cirurgia plástica, no dia 2 de julho de 2012. Ela queria retirar o excesso de pele na barriga após o nascimento da segunda filha e colocar silicone nos seios. “Tudo parecia bem, mas eu só fui ver que o resultado tinha sido desastroso cerca de cinco meses depois da cirurgia, quando desinchei. Aí percebi que, além do excesso de pele acima da vagina, que parecia um pênis, eu estava com a cintura desproporcional, e o silicone estava caído”, lembra. Na ocasião, segundo Annelise, o médico Gustavo Resende, responsável pelo procedimento, alegou que ela não precisava ter passado por todos os procedimentos. “Ele disse que eu não precisava retirar o excesso de pele e apenas fez a colocação dos implantes (335 mls em cada um) e uma lipoaspiração na região da barriga. Porém, o resultado que ele deixou foi pior do que o que eu estava”. A jovem, então, procurou o médico e ficou acertado que seria feita uma nova cirurgia reparadora. Porém, uma questão financeira atrapalhou a realização do procedimento. “A cirurgia custou R$ 11 mil. Paguei R$ 6.800 à vista e parcelei o restante em quatro vezes de R$ 1.050. Quando notei que o médico tinha destruído meu corpo, sustei o último cheque e comuniquei a ele. Falei que ia sustar porque não tinha ficado satisfeita com a cirurgia e só iria pagar quando ele me desse o reparo”, afirma. Ao constatar o não pagamento da última prestação, o cirurgião teria se negado a fazer uma correção na paciente. “Eles me acusaram de ser caloteira e me mandaram procurar meus direitos. E foi o que eu fiz”, lembra Annelise.

Processo judicial – Após denunciar o caso à polícia, ela procurou um advogado e entrou com uma ação na Justiça. Segundo ela, até agora, nenhuma audiência chegou a ser realizada. “O meu caso segue tramitando no Tribunal de Justiça, em Goiânia. Pedi a reparação dos danos e, mesmo já tendo feito a nova cirurgia, tive muitos prejuízos”, disse. Na época, o advogado Felicíssimo Sena, que prestou consultorias ao médico, afirmou que, segundo o profissional, o procedimento aconteceu dentro dos padrões da normalidade. “Ela procurou o Conselho Regional de Medicina [Cremego]. Aí sim, me parece o órgão cientificamente adequado, competente para fazer essa analise. Este órgão julgará ao tempo certo, depois da devida instrução, se o procedimento foi satisfatório ou não foi satisfatório”, declarou. O G1 entrou em contato novamente com o advogado na sexta-feira (15), mas ele disse que o médico nunca foi um cliente formal de seu escritório e que ele não tem mais contato com o profissional. O Cremego informou, por meio de nota, que em 7 de novembro de 2013, após receber a denúncia protocolada pela paciente Annelise Levino, o órgão “instaurou uma sindicância para apurar o fato denunciado. A apuração está em andamento e deve ser concluída ainda neste mês”.

Traumas – Annelise lembra que, por conta da cirurgia desastrosa, ela enfrentou inúmeras situações constrangedoras. A pior situação era em relação ao marido, pois ela passou a ter vergonha de ficar nua na frente dele. “Nosso relacionamento ficou por um fio e foi muito difícil a convivência. Por sorte, ele me apoiou muito até que eu pude refazer o procedimento”, conta. Segundo ela, outra situação que a “traumatizou” foi o momento em que o excesso de pele na região pubiana foi confundido com um pênis. “Em uma loja, uma vendedora pensou que eu era um travesti. Nada contra quem é, mas eu me senti muito mal de ser confundida com uma pessoa do sexo oposto, tudo em função de uma cirurgia mal feita”, lembra. Para evitar novos constrangimentos, ela investiu R$ 27 mil em uma nova abdominoplastia e colocação de silicone, em dezembro do ano passado. Depois disso, ela se considera recuperada. “Fiz um novo sacrifício para reparar minha vida. Agora que consegui arrumar o meu corpo estou bem, mas o médico tem que ser punido”, ressaltou a esteticista.

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