“Minha cueca e a calçola de minha mulher são pagas com dinheiro do povo”, reconhece deputado baiano

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“Nós já temos uma outra tragédia anunciada”, alerta Manoel Isidório Santana Júnior, apontando para uma encosta que mais balança do que sustenta um imóvel no topo. Ele está com calça, bota, camisa arregaçada nas mangas, uma gravata enfiada entre botões e toda a roupa salpicada de barro. Se não fosse a roupa social no meio da montanha de terra, e o fato de ser um dos 63 deputados baianos, seria como mais um dos negros e mulatos ajudando no resgate de corpos na comunidade de Barro Branco. Isidório diz que faz a parte dele para evitar a tragédia, cobrando providências do Poder Executivo. “Acho que o povo que é quem paga imposto, paga político. Como doido, eu costumo dizer que eu tenho que dar a resposta porque a minha cueca é paga com dinheiro público, a calçola da minha mulher é paga com dinheiro público”, reconhece Isidório que, como deputado, recebe R$25mil de salário, mais verbas indenizatória, de gabinete, adicionais por integrar comissões, que podem fazer o valor chegar a R$80 mil por mês. Além disso, a Fundação que ele administra recebeu mais de R$8 milhões do governo do estado, apenas em 2014. Fazendo declarações desse tipo, não é difícil de imaginar os motivos do sargento reformado, que também é pastor, ser chamado de maluco por boa parte dos colegas parlamentares. Pegar pá e enxada para mexer nos escombros de tragédia poderia ser mais um expediente extravagante de exibicionismo, como associar a falta de chuvas em São Paulo à Parada Gay e dizer que contraiu o vírus HIV, mas foi curado pela fé. O certo é que Isidório foi aceito pela comunidade, ao contrário de uma ex-vereadora de Salvador, deputada recém eleita, convidada a sair quando chegou fazendo promessas e de mãos vazias. Ex-feirante e cobrador de ônibus, que ingressou na Polícia Militar em 1981, ele concorda que a classe política não sofre o mesmo nível de cobrança que o trabalhador médio brasileiro. Chegou a segundo deputado mais votado na última eleição, quando obteve 123.234 votos, o que empolgou a lançar a candidatura a presidente da Assembleia Legislativa. Desistiu a menos de 30 dias da votação que confirmou Marcelo Nilo no quinto mandato, administrando orçamento de R$453 milhões. A instituição que ele criou para tratamento de usuários de drogas, Instituto de Defesa dos Direitos Humanos Doutor Jesus, recebeu R$8.373.211 do governo do estado, apenas em 2014, de acordo com o site Transparência Bahia (www.senhaaberta.ba.gov.br). A Fundação fica em Candeias, às margens da BR-324, e, segundo Isidório, atende entre 600 e 700 pessoas. (Aratu)

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