No Acre, 10 pessoas da mesma família são internadas com doença de Chagas

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Dez pessoas da mesma família estão internadas no Hospital Geral de Feijó, cidade distante a 366 km de Rio Branco, com doença de Chagas. Outras três fizeram exames e aguardam o resultado, que deve sair na próxima segunda-feira (18).A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).A direção da unidade diz que todos os 13 pacientes são da mesma família e moradores do Seringal Miraflor, no km 60 da BR-364. O hospital não divulgou as idades e nem os nomes dos pacientes.A transmissão da doença de Chagas ocorre pelas fezes do “barbeiro” depositadas sobre a pele da pessoa, enquanto o inseto suga o sangue. A doença pode ser transmitida pelo açaí quando o barbeiro se mistura aos grãos e acaba sendo moído junto com o fruto.Segundo a diretora do hospital, Edicineide Souza Pinheiro, os primeiros 10 pacientes deram entrada no hospital no último dia 8 e as demais foram internadas na quinta-feira (14). Todos estão tomando medicação para doença de Chagas.”Estamos dependendo do resultado de alguns exames para confirmar se todos estão com a doença. Eles estão estáveis, mas tem um deles que está com a temperatura elevada. Primeiro veio uma família de uma casa e depois deu entrada outra família. Eles são parentes e moram em colocações próximas. Não podemos confirmar se a transmissão de deu pelo açaí, vamos mandar uma equipe para investigar”, informou a diretora.A gestora diz também que o médico responsável pelo caso deu uma palestra na unidade sobre os cuidados em relação ao barbeiro.

Investigação

A técnica responsável pela Doença de Chagas e Leishmaniose da Sesacre, Carmelinda Gonçalves, informou que uma equipe de Vigilância Entomológica e Epidemiológica da Sesacre deve ser enviada na próxima semana à comunidade para analisar a área.”Vamos apurar se tem uma quantidade maior de barbeiros. A partir do que está acontecendo realizamos a borrifação e até intervenção química. Lá é uma comunidade de difícil acesso. Vamos conversar com os moradores e com os pacientes para saber como foram infectados”, detalha a técnica.Ela explica que a Saúde já encaminhou medicação para todos os pacientes e o médico que os trata recebeu orientações do Ministério da Saúde sobre a doença. “Diagnosticamos alguns pela lâmina de malária. Os outros devem ser confirmados na segunda-feira”, conclui.

Mortes

Em março deste ano, o casal Francisco Maian da Costa, de 18 anos, e Celiana Silva, de 17, nos dias 26 e 29 de fevereiro, respectivamente, morreram após tomar açaí contaminado pelo barbeiro. A família do casal mora em uma comunidade rural da cidade de Rodrigues Alves, a 627 km da capital acrena. Inicialmente, a doença de Chagas era apenas a suspeita, sendo confirmado o diagnóstico no dia 11 de março pela Saúde do Acre.Duas irmãs de Costa também foram diagnosticadas com a doença. A pequena Francisca Adrielly, de 12 anos, ficou internada por mais de um mês no Hospital da Criança, em Rio Branco, e ficou com uma lesão no coração, por causa da enfermidade, segundo a médica que a atendeu.

Equipe da Fiocruz está na região do Vale do Juruá, no interior do Acre  (Foto: Carmelinda Gonçalves/Arquivo pessoal )

Equipe da Fiocruz visitou a região do Vale do Juruá, (Foto: Carmelinda Gonçalves/Arquivo pessoal )

Pesquisa

Dois meses após os casos em Rodrigues Alves, a coordenação que trata sobre doença de Chagas no Acre visitou as cidades da região do Vale do Juruá, como Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. A medida fez parte de uma campanha de prevenção e conscientização após a região registrar nove casos da doença.Uma equipe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília também esteve no local e fez pesquisas na comunidade Nova Cíntra, onde sete casos da doença foram confirmados neste ano.

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