‘Sofrendo muito’, diz pai de menina de 6 anos morta por bala perdida em Salvador

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Os pais da menina de seis anos que morreu após ser baleada na noite de sexta-feira (17), no bairro de São Caetano, em Salvador, estão em estado de choque, de acordo com familiares. A vítima era filha única do casal e foi enterrada na tarde sábado (18), no cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas, na capital. “Os pais estão totalmente em estado de choque. É uma situação que realmente não dá para aceitar assim de imediato, ainda mais sendo os pais”, contou Robenilton, tio da vítima. Em conversa com a equipe da TV Bahia, por telefone, o pai da garota de seis anos falou sobre o momento difícil vivido pela família. “Rapaz, estamos sofrendo aqui. Sofrendo muito. Minha esposa está à base de remédios para poder tá suportando essa situção, e eu também tô arrasado”, desabafou. A irmã da mãe da vítima, tia da garota, também falou sobre a tragédia. “Eu estou sentindo falta da minha sobrinha. Não era para contecer isso não, uma menina tão maravilhosa, todo mundo gostava dela. Carinhosa, amável, doce, todo mundo gostava dela”, disse, emocionada, Edna.As manchas de sangue ainda estão no local onde a garota estava quando foi baleada.Conforme o tio, Robenilton, Mirela estava com a mãe na laje do imóvel, onde a mãe estendia algumas roupas, quando tudo aconteceu. “Ele estava aqui no banco, debruçada no muro”, disse o tio. Mirela chegou a ser socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da San Martin, mas não resistiu aos ferimentos. Na manhã desta segunda-feira (20), a Polícia Militar disse que todas as informações referentes ao caso serão passadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Por sua vez, a SSP informou que só iria se pronunciar sobre o caso após o resultado da perícia realizada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). As armas utlilizadas pelos policiais foram recolhidas pelo DPT e vão passar por perícia para determinar de onde veio o tiro que matou a menina. O DPT informou que não existe um prazo para o resultado da perícia ser divulgado. Com relação aos policiais envolvidos na ação que resultou na morte da menina, a SSP informou que eles continuam atuando normalmente.

Enterro

A garota foi enterrada na tarde de sábado (18), no cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas, em Salvador. Familiares e moradores do bairro pediram por justiça no local. Depois do enterro um grupo de moradores realizou um protesto em frente a Base Comunitária de Segurança de São Caetano, bairro onde o crime aconteceu. No final do protesto o grupo bateu palmas para homenagear a vítima.

Investigações

De acordo com a SSP, a vítima foi morta durante uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos. Os policiais estavam no bairro porque seguiam o sinal de GPS para rastreamento de um celular furtado na tarde de sexta-feira e, quando chegaram ao local indicado, foram recebidos a tiros por bandidos. Segundo a polícia, o proprietário do celular que teria sido furtado, e que acionou a guarnição da PM, testemunhou toda a ação e será ouvido. As armas dos policiais que participaram da ação foram recolhidas. A SSP infomou que diligências tentam identificar os suspeitos de trocar tiros com a polícia. Conforme a secretaria, apenas o resultado dos laudos poderão revelar de que arma partiu o disparo que matou a criança. O confronto entre PMs e bandidos é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar. Já a morte da menina de 6 anos, teve inquérito aberto no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Denúncia

Moradores do bairro de São Caetano contestaram a versão do caso divulgada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), e questionaram a ação da Polícia Militar após o crime. De acordo com duas moradoras que preferiam não se identificar, os policiais que estiveram no local já chegaram ao bairro realizando disparos. “Eles só chegam atirando, não pergunta se tem gente na rua, não pergunta nada. Os policiais ainda tiveram coragem de dizer que ainda foi troca de tiros”, disse uma das moradoras. Uma outra moradora contou que viu quando a menina foi baleada, e disse que a rua estava vazia no momento do crime. “Eu vi ele chegando agachado, quatro policiais, e o dono do celular. Ele estava no meio, dois policiais atrás e dois na frente. Só que quando eles chegaram aqui não tinha um pé de gente na rua. Não tinha ninguém porque estava chovendo. Eu saí para olhar meu filho, quando eu cheguei só vi os pipocos (sic), eles atirando. Quando eu vi a população correr, eu corri também, e vi a criatura gritando. Pensei que foi o susto, mas a filha dela já tinha tomado o pipoco (sic)”, disse.(G1/BA)

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