TJ aprova moção por nomeação de Luislinda Valois e diz que estamos próximo da ‘igualdade’

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A decana e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargadora Silvia Zarif propôs uma moção de congratulação a desembargadora aposentada Luislinda Dias de Valois Santos para o cargo de secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Justiça e Cidadania. A decana do TJ destacou que a nova secretária foi juíza do TJ-BA, ocupou cargos na Administração, e atuou nos Juizados Especiais. Zarif classificou como “feliz” a indicação do presidente interino Michel Temer, por “nomear uma pessoa comprometida, que representa a raça negra, é bem-sucedida, ocupou cargos e sempre se manifestou e se destacou nessa área, e, além disso, é mulher”, disse a decana, que ainda acrescentou que a “mulher é muito discriminada, e, é preciso que realmente haja uma pessoa comprometida com esses valores nessa secretaria”. O desembargador Lidivaldo Reaiche, presidente da Comissão Temporária de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos do TJ, ainda falou da dedicação de Luislinda na causa dos afrodescendentes e que deu uma sentença que entrou para a história do Judiciário baiano, ao condenar uma empresa por discriminação, por acusar uma jovem negra de roubar um caderno. A jovem comprovou a aquisição do material e magistrada aposentada entendeu que ela foi abordada por seguranças por ser negra. “Foiuma sentença emblemática, que foi registrada nos anais do Judiciário da Bahia”, lembra. Lidivaldo ainda acrescentou que Luislinda deve implementar a disciplina da história da cultura africana na rede pública de ensino. O ex-presidente do TJ, desembargador Eserval Rocha também assinou a moção, e afirmou que “somente quem é negro sabe o que realmente é ser negro. E no caso, mulher, e pobre”. A desembargadora Nágila Brito, da Coordenadoria da Mulher do tribunal, afirmou que “baterá as portas” da secretária para pleitear melhorias para as mulheres, como introduzir nas escolas o ensino da cultura de não violência às mulheres, “para que nossos meninos aprendam sobre a igualdade entre homem e mulher desde a mais tenra idade”. O desembargador Ivanilton Santos da Silva, um dos poucos a se declarar negro no TJ-BA, afirmou que não poderia ficar calado diante das colocações dos colegas sobre igualdade racial. Para ele, a nomeação da desembargadora aposentada “não poderia deixar de chamar a atenção desta casa, e chamará atenção do Brasil”. “Finalmente, estamos nos aproximando do sonho de Martin Luther King, que colocou na Virginia ‘eu tenho um sonho que um dia filhos de ex-escravos e filhos de senhores de escravos, possam se sentar à mesa, sentindo-se plenamente em igualdade’’’. Essa iniciativa, segundo ele, “de alguma forma, resgata o povo afrodescendente, e como afrodescendente, não poderia me calar” e aprovou a nomeação. Por fim, Ivanilton disse que, “finalmente, estamos chegando a uma situação de sentimento de igualdade, que acompanha o de liberdade e de fraternidade”.(BN)

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